Desaparecimento de idosos

Segundo dados oficiais, em média desaparecem em Portugal por ano mais de 150 idosos e apenas 74% destes são salvos, sendo 20% encontrados mortos e os restantes 6% objecto de investigação policial para apurar o seu paradeiro. Em 2011 registou-se o maior número de casos de idosos desaparecidos: 211. O interior do país e as zonas rurais são as regiões de maior incidência desta realidade. A fuga, a desorientação e a doença de Alzheimer são os principais motivos de desaparecimento.

Ainda segundo os dados oficiais, das 771 pessoas idosas desaparecidas em Portugal entre 2007 e 2011, 5% destas terão desaparecido por fuga, quer devido a maus tratos ou sequestro (vivem fechados em casa ou em lares contra a sua vontade, por vezes longe dos locais onde antes viviam). 54% dos casos referem-se a pessoas que, simplesmente, se perderam. Os restantes 41% dos casos são atribuídos a outros motivos, entre os quais a doença de Alzheimer e outras doenças degenerativas, bem como a tentativas ou consumação de suicídios.

Face à evolução demográfica do nosso país, é, infelizmente, expectável um aumento destes números nos próximos anos. É, por conseguinte, um problema social que tende a agravar-se e cuja resolução implica, desde logo, uma consciencialização de todos os agentes sociais pela vida humana. De toda a vida humana e não apenas a dos cidadãos que são válidos. É que não basta que se criem condições para as pessoas viverem mais tempo. É fundamental que essa vida seja efectivamente vivida e não apenas sobrevivida. Na actual conjuntura económica e naquela que se perspectiva para os próximos anos a (re)criação dos laços de solidariedade social e familiar é a única forma de assegurar uma vida digna aos nossos séniores.

Esta atitude de solidariedade implica, entre outros aspectos, a observação de alguns conselhos práticos que podem contribuir decisivamente para a sobrevivência dos idosos desparecidos:

  1. Informar as autoridades policiais o mais rápido possível;
  2. Se um idoso é visto na rua com sinais de desorientação, comunicar imediatamente o facto à polícia;
  3. Os familiares dos idosos devem ter uma atenção mais redobrada nas fases de transição, por exemplo quando o idoso é transferido de residência ou lar;
  4. O idoso nunca deve sair para a rua sem o seu bilhete de identidade ou cartão de cidadão, devendo também ter na sua posse um documento onde conste o número de telefone (dos seus familiares ou residência, caso não viva sozinho) e a morada;
  5. Os familiares devem providenciar para que os seus idosos tenham consigo a sua identificação. No caso de doentes de Alzheimer, deve ser utilizada uma pulseira ou um colar de identificação com um número de telefone para contacto com os familiares ou com o curado. Em alternativa, pode-se optar por um dispositivo de localização por GPS;
  6. É também possível aderir ao programa Rumo Seguro ©, desenvolvido entre as associações de Alzheimer em Portugal e uma empresa de consultoria denominada Amaze, em pareceria com as autoridades policiais, bombeiros e farmácias. A adesão pode ser feita na Alzheimer Portugal, nas farmácias e nas corporações de bombeiros e custa 50€ por três anos.

Obviamente que cumprimento dos conselhos acima referidos não resolve, por si só, a difícil situação em que muitos dos nossos idosos se encontram. Mas é um pequeno contributo para as suas vidas poderem ser um pouco melhores.

Fonte: Azeitão+Seguro

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